Benefícios do uso de fósforo no sulco de semeadura.

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Uma vez que o P apresenta baixa mobilidade no solo (Barber, 1984) e baixíssima disponibilidade em solos tropicais (Novais et al., 2007), isso afeta, e muito, no suprimento das plantas, já que a absorção pelas raízes é dependente dos teores do elemento, bem como do volume de solo explorado (Klepker & Anghinoni, 1995). Para que ocorra adequada absorção de fósforo, acarretando num melhor desenvolvimento e produtividade das culturas, o nutriente deve ser aplicado de maneira adequada no solo, permitindo sua melhor localização em relação às raízes das plantas (Anghinoni & Barber, 1980), assim como minimização da exposição do P ao fenômeno da fixação promovido por óxidos e hidróxidos de Fe e Al (Sousa & Volkweis, 1987b).

Desta forma, o modo de aplicação pode alterar a velocidade e a capacidade do fertilizante em reagir no solo, como consequente solubilização e disponibilização do P na solução deste, determinando o grau de eficiência da adubação fosfatada (BREVILIERI, 2012).

 

Experimentos com fosforo no sulco de semeadura:

Em trabalho realizado em Latossolo Vermelho-Escuro, na região do Triângulo Mineiro, em Uberaba (MG), com a cultura do milho, verificou-se que com doses crescentes de P os modos de aplicação do adubo fosfatado no sulco foram mais eficientes que a lanço, com destaque para a aplicação em sulco duplo que apresentou teores de P foliar até 20% maiores quando comparados ao método a lanço (Resende et al., 2006)

Prado et al. (2001) comparando os modos de aplicação em um solo com 66% de argila e teor médio de P, verificaram que os tratamentos com aplicações no sulco foram mais eficientes que a lanço. Resultados semelhantes foram encontrados por Moterle et al. (2009) sob a produtividade da cultura da soja, também em solo com teor médio do nutriente.

Porém, em estudos conduzidos por Pavinatto & Ceretta (2004) em solos com teor muito alto de P, não houve diferenças na produtividade da cultura do milho quando comparados os modos de aplicação a lanço e no sulco de plantio. Uma hipótese para os resultados encontrados neste experimento é que os métodos de aplicação não variaram devido ao alto teor do nutriente no solo.

Um resultados interessante também foi encontrado por Guareschi et al. (2008), que constatou em experimento sobre solos de teores médios de P, que a aplicação em semeadura do nutriente e a lanço com 15 dias de antecedência não apresentaram diferença quanto a produtividade.

As fontes utilizadas na fertilização também interferem no modo de aplicação. Motomiya et al. (2004) constaram que fontes de menor solubilidade são equivalentes aos fertilizantes solúveis quando aplicadas a lanço, porém são ineficientes quando aplicadas no sulco de plantio.

 

Conclusões:

Portanto, a aplicação do adubo fosfatado no sulco de plantio apresenta bons resultados quando comparados a aplicação a lanço, principalmente em solos com teores médios ou baixos de P. Isto pode ser explicado pela minimização da adsorção do fósforo pela menor área de exposição ao solo. Um outro ponto a ser levado em consideração é que, tendo em vista que o fósforo é absorvido pela planta por meio da difusão, a aplicação no sulco permite uma maior concentração do nutriente ao redor raiz, como mostrado na figura 1. Possibilitando assim um maior contato.

 

Latossolo Argiloso – Cerrado (8 anos)

 

FastAgro_SpotInformativo_16_Website_ImagemLanço

Distância em relação à linha de plantio (cm).

 

Sulco

Distância em relação à linha de plantio (cm).

 

Logo, não existe forma certa ou errada de aplicação de fósforo e cabe ao produtor se adequar perante as características da sua área e as fontes à serem utilizadas.

 

Referências bibliográficas:

ANGHINONI, I. & BARBER, S.A. Phosphorus application rate and distribution in the soil and phosphorus uptake by corn. Soil Sci. Soc. Am. J., 44:1041-1044, 1980.

BARBER, S.A. Soil nutrient bioavailability: a mechanistic approach. New York: Willey Interscience, 1984. p. BREVILIERI, R. C. Adubação fosfatada na cultura da soja em Latossolo Vermelho cultivado há 16 anos sob diferentes sistemas de manejo. Dissertação (Mestrado em Agronomia – Produção Vegetal) – Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul, 52p. 2012.

GUARESCHI, R. F. et al. Adubação fosfatada e potássica na semeadura e a lanço antecipada na cultura da soja cultivada em solo de Cerrado. Semina: Ciências Agrárias, v. 29, n. 04, p. 769-774, 2008.

KLEPKER, D., ANGHINONI, I. Crescimento radicular e aéreo do milho em vasos em função do nível de fósforo no solo e da localização do adubo fosfatado. R Bras Ci Solo, Campinas, v. 19, p. 403-408, 1995.

MOTERLE, L. M.; SANTOS, R. F.; BRACCINI, A. L.; SCAPIM, C. A.; LANA, M. C. Influência da adubação com fósforo e potássio na emergência das plântulas e produtividade da cultura da soja. Revista Ciência Agronômica, v. 40, n. 02, p. 256-265, 2009.

MOTOMIYA, W. R. et al. Métodos de aplicação de fosfato na soja em plantio direto. Pesquisa Agropecuária Brasileira, v. 39, n. 04, p. 307-312, 2004.

NOVAIS, R.F. & SMYTH, T.J. & NUNES, F.N. Fósforo. In: NOVAIS, R.F.; ALVAREZ V., V.H.; BARROS, N.F.; FONTES, R.L.F.; CANTARUTTI, R.B. & NEVES, J.C.L. Fertilidade do solo. Viçosa, MG, Sociedade Brasileira de Ciência do Solo, 2007. p.471-537.

PAVINATO, P. S.; CERETTA, C. A. Fósforo e potássio na sucessão trigo/milho: épocas e formas de aplicação. Ciência Rural, v. 34, n. 06, p. 1779-1784, 2004.

PRADO, R. M.; FERNANDES, F. M.; ROQUE, C. G. Resposta da cultura do milho a modos de aplicação e doses de fósforo, em adubação de manutenção. Revista Brasileira de Ciência do Solo, Viçosa, v. 25, n. 1, p. 85-92, 2001.

RESENDE, A.V.; FURINI NETO, A.E.; ALVES, V.M.C.; MUNIZ, J.A.; CURI, N.; FAQUIN, V.; KIMPARA, D.I.; SANTOS, J.Z.L. & CARNEIRO, L.F.
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SOUSA, D.M.G. de; VOLKWEISS, S.J.; CASTRO, L.H.R. Efeito residual do superfosfato triplo em função da granulação e dose e do sistema de preparo do solo. Planaltina: EMBRAPACPAC, 1987b. 5p. (EMBRAPA-CPAC. Pesquisa em Anda-mento, 21).

 

 

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