Dessecação pré-plantio da soja: qual a época ideal?

 em Solo

 

Introdução

As perdas de produção de soja em razão da concorrência com as plantas daninhas podem variar de 42 a 95% (Blanco, 1985) de acordo com a incidência e época de controle em relação ao estádio da cultura (Knezevic et al., 1994). Portanto, é indispensável adotar diferentes práticas de manejo para a supressão dessas plantas, como a preservação da palhada e a implantação da lavoura em local livre de plantas invasoras. A dessecação pré-plantio no momento correto controla as plantas remanescentes na área, facilita o corte da palhada e proporciona maior uniformidade da cobertura morta por meio da aplicação de herbicidas dessecantes, como glyphosate e paraquat (Koslowski, 2001).

 

Manejo e dessecação

Segundo Döwich (2005, p.108-114), cerca de 70% das raízes das braquiárias estão localizadas até 10 cm de profundidade, tendo um papel importante na descompactação do solo após a dessecação e morte do sistema radicular, obtendo resultados satisfatórios na dessecação com antecedência de 7 a 10 dias da semeadura.

Para Kluthcouski e Aidar (2003, p.409-441) o período ideal de aplicação de herbicida dessecante situa-se entre de 10 a 25 dias antes da semeadura de culturas de verão. Estes autores afirmam que o sucesso do plantio direto depende do desempenho da semeadora, corretamente regulada e equipada com disco de corte e haste sulcadora, bem como índice de área foliar suficiente e a máxima presença possível de folhas novas (Cobucci e Portela 2003, p.445-458) para melhor ação dos herbicidas dessecantes.

Constantin (2005, p.200-204) sugere que a dessecação deve ser feita entre 15 e 20 dias antes da semeadura, pois o autor relatou que culturas implantadas em períodos curtos após a dessecação apresentam amarelecimento das folhas e estiolamento em estádios iniciais, com redução do desenvolvimento vegetativo e possível queda na produção.

Voll et al., (2004) propôs que o benefício da dessecação antecipada se dá em razão do menor risco da presença de plantas de cobertura capazes de liberar ácidos orgânicos responsáveis por prejudicar a cultura da soja, em razão de efeitos alelopáticos destas substâncias, bem como pelo fato de serem fonte de alimento para pragas que possam atacar a soja e pela competição por nitrogênio se ainda estiverem presentes no momento da semeadura.

Devido a reinfestação de plantas após a dessecação, Fleck et al, 2002, obteve menores produtividades de soja sobre a Brachiaria plantaginea dessecada 17 e 11 dias antes do plantio quando comparada a dessecação feita apenas 1 dia antes do plantio, pois houve maior interferência das plantas de braquiária não controladas pelo dessecante, as quais se beneficiaram da umidade presente no solo para se desenvolver em relação a lavoura de soja.

Porém, o rebrote de plantas que ocorre em dessecações antecipadas pode ser minimizado pelo uso de herbicidas com efeito residual (Carvalho et al., 2000), a exemplo do ingredientes ativos saflufenacil e flumioxazina.

Devido a reinfestação de plantas após a dessecação, Fleck et al, 2002, obteve menores produtividades de soja sobre a Brachiaria plantaginea dessecada 17 e 11 dias antes do plantio quando comparada a dessecação feita apenas 1 dia antes do plantio, pois houve maior interferência das plantas de braquiária não controladas pelo dessecante, as quais se beneficiaram da umidade presente no solo para se desenvolver em relação a lavoura de soja.

Kozlowski (2001), apontou que a dessecação da cobertura vegetal feita com paraquat, na presença de plantas infestantes de natureza semi-perene e perene, não apresentaram boa eficácia pela ocorrência de muitos rebrotes, se tornando mais viável por exemplo o uso de produtos de ação sistêmica na planta.

Para que se não haja rebrote das plantas dessecadas, Timossi et al., (2004) salienta que é necessário aguardar a morte total das coberturas para iniciar o plantio, e Greco (2002) afirma que há menor rendimento da semeadora pelo embuchamento e dificuldade de corte no momento em que as plantas se encontram com aspecto verdulento, causando desuniformidade no estande da cultura.

Em regiões de clima subtropical há elevado acúmulo de biomassa, situação que pode ser prejudicial ao desenvolvimento inicial da soja (Borges 2003, p.113-117), pode-se optar por utilizar como cultura de cobertura plantas de relação C/N baixas e de rápida decomposição, como leguimosas por exemplo, prática que facilitará de médio a longo prazo a melhoria da plantabilidade do terreno e dessecações mais eficientes.

 

Conclusões:

Portanto, fatores como o tipo de cultura de cobertura, a quantidade de matéria seca remanescente, disponibilidade hídrica e presença de plantas daninhas resistentes, influem na escolha do dessecante a ser usado bem como a época ideal entre dessecação e semeadura, havendo a necessidade uma atenção especial para cada caso.

 

 

Referências bibliográficas:

BLANCO, H. G. Controle integrado de plantas daninhas. 2.ed. São Paulo: CREA, 1985. p. 42-75.

Knezevic, S. Z., S. F. Weise, and C. J. Swanton. 1994. Interference of redroot pigweed (Amaranthus retroflexusL.) in corn (Zea mays L). Weed Sci 42:568–573.

FLECK, N. G.; Período crítico para controle de Brachiaria plantaginea em função de épocas de semeadura da soja após dessecação da cobertura vegetal; EEA/UFRGS, Eldorado do Sul – RS, 2000/01

DÖWICH, I. O sistema plantio direto (SPD) e a integração lavoura pecuária (ILP) no Oeste Baiano. In: ENCONTRO DE PLANTIO DIRETO NO CERRADO, 8, 2005, Tangará da Serra. Anais…Tangará da Serra: Gráfica e Editora Sanches, 2005. p.108-114.

AIDAR, H.; RODRIGUES, J.A.S.; KLUTHCOUSKI, J. Uso da integração lavoura-pecuária para produção de forragem na entressafra. In: KLUTHCOUSKI, J.; STONE, L.F.; AIDAR, H. Integração lavoura-pecuária. Santo Antônio de Goiás: Embrapa,2003. p.227-262.

CONSTANTIN, J. Intervalo entre dessecação e plantio das culturas. In: ENCONTRO DE PLANTIO DIRETO NO CERRADO, 8, 2005,Tangará da Serra. Anais… Tangará da Serra: Gráfica e Editora Sanches, 2005. p.200-204.

COBUCCI, T.; PORTELA, C.M.O. Manejo de herbicidas no sistema Santa Fé e na braquiária como fonte de cobertura morta. In: KLUTHCOUSKI, J.; STONE, L.F.; AIDAR, H. Integração lavoura- pecuária. Santo Antônio de Goiás: Embrapa, 2003. p.445-458.

KOZLOWSKI, L.A. Aplicação seqüencial de herbicidas de manejo na implantação da cultura do feijoeiro comum em sistema de plantio direto. Revista Brasileira de Herbicidas, Brasília, v.2, n.1, p.49-56,2001.

 

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